ALGEMAS EM FLOR
- 26 de jan.
- 1 min de leitura

Os dias dançam entre valsas solenes e inquiridoras,
É quase um passeio de assombro e lamento.
Algemas eternas,
Jardins.
Há um silêncio tão gritante aqui dentro, ouso questionar como nunca antes.
Não me permito,
Não me reparto,
As mãos que teceram minhas tramas me perscrutam.
É suficiente hoje?
Não clama o meu interior por interesse legítimo?
Não deseja o fio de prata ser percebido com lucidez e compaixão alheia?
Quero ser, não produzir.
Mais uma vez, emudeço.
Não quero discursos religiosos baratos,
Não quero jargões em alta,
Não quero explicações repetidas,
Não quero oratória bem sucedida,
O jardim é sacro e deve ser respeitado.
Busco conversas nascidas de relacionamento profundo,
Busco originalidade em meio a mesmice,
Busco gente de verdade, em suas virtudes e delinquências
Que se aventurem a dialogar sob licença poética.
Não me encontro aqui.
O diferente é sedutor, sair do apelo comum, do padrão, do repetir, do adequar...
Ando por aí em revolver contínuo.
Sei que não lançarei estacas, não nessa terra, não nesse tempo.
O consolo é olhar além, além dos limites, dos mares, das montanhas, em aldeias inóspitas e culturas dessemelhantes.
Sinto-me desconectada em interesses, buscas, anseios.
Tudo é cansativo e sem cor.
Posso adequar-me ou resignar.
E quando o sol se esconde, o caminho da noite torna-se latejante.
Não há brilho, interesse ou maravilhar-se.
Apenas um coração algemado num jardim em flor.





Comentários